03 março 2013

Desespero - capitulo 1



Estava-me escuro, sentia-me só. A dor era inconsolável. Ouvia gritas, devia ser das memórias ou estaria só a alucinar?
Ninguém estava em ca, apenas eu. Um ruido vindo da porta inquietou-me. Quem seria?
- Alice? – Ouvi uma voz muito perto de mim.
Senti umas mãos tocarem-me e sobressaltei-me.
- Foi só um pesadelo querida. – Disse a voz da minha tia.
Foi só um pesadelo, o mesmo pesadelo que tinha todas as noites desde a morte do eu pais, onde vivis o pior dia da minha vida vezes e vezes sem conta.
Olhei nos seus olhos claros e carentes, apercebi-me então que estava segura a seu lado. Por enquanto.
- Volta dormir querida. – Sussurrou ao meu ouvido.
E com o som de uma canção desconhecida adormeci, envolvida em mais pesadelos.
Da cozinha ouvia-se passos. Cada vez mais próximos.
Peguei no candeeiro e escondi-me no armário. Começava a tremer e a respirar com dificuldade. Quem seria?
Seriam mais fantasmas passados que me viriam atormentar? Ou apenas alguém de passos leves e rosto afável, que me viria ajudar?
Voltei então á realidade, onde suada e assustada era agarrada pelos braços magros da minha tia.
- Shh…já passou. – Sussurrou uma e outra vez.
Desde aquele dia amaldiçoado que não conseguira dormir uma noite seguida. Porque estaria sempre a acontecer? Dia após dia relembrava aquele momento.
Então amanheceu e mesmo que não o desejasse, tinha aulas. Tinha que recomeçar uma vida e esquecer o passado. Mas como? Quando ele parece tão presente?
Tinha de aprender a viver com esta nova realidade, e, apenas fingir que nada se passava.
Levantei-me e arrastei-me até a casa de banho. Tomei um banho frio para despertar, e vesti uma roupa qualquer, nem mesmo a moda, que fora a minha paixão, me interessava agora.
Desci as escadas, um vazio preenchia a casa, nada voltaria a ser como dantes…mesmo á saída apercebi-me que algo falta.
Recuei e olhei em vota. Que seria?
O meu olhar cruzou-se com uma fotografia que emanava alegria, baixei a cabeça e saí.
Segui em frente, atravessei a rua e esperei. Tinha saído mais cedo, o autocarro ainda demorava a chegar.
Peguei nos fones e coloquei-os. Assim que o autocarro chegou entrei e sentei-me ao fundo, afastada de todos, atirei a minha pasta para o assento ao lado e esperei que chegássemos.                                                                                                                                            
Uma brisa percorreu o autocarro, já velho de tantas viagens e a minha ansia de chegar aumentava.
Finalmente, chegamos, á escola de Forks, segui o caminho de todos dentro do autocarro, e desci.
Assim que assentei os meus pés no chão, avistei a Bella que vinha a correr na minha direção.
Ela abraçou-me fortemente e com entusiamos, á qual não correspondi.
- Finalmente, estás cá Lice!
Tentei sorrir mas a dor era demasiado forte, ela largou-me e o seu sorriso caiu.
- Desculpa, é que já não nos víamos á tanto tempo…Lamento muito…
-Não faz mal, a culpa não é tua. - Suspirei.
- Anda, estávamos todos á tua espera. – Pegou-me na mão e começou a puxar-me.
- Larga-me. - Disse eu.
Ela soltou-me e olhou-me magoada.
- Desculpa. – Pedi. – Eu…eu…não estou muito bem…não ligues aquilo que eu digo.
- Ok, estás estranha…desculpa qualquer coisa. – Virou costas e seguiu caminho
Pé ante pé fui seguindo-a cabisbaixa...não me apetecia ser estar ali…
Acabamos por chegar perto de um grupo de pessoas que eu conhecia desde da minha infância.
- Alice! – Cumprimentou-me a Rosalie.
- Hey ... - Disse eu desanimada.
- Que cara é essa Lice?
- A minha. – Respondi simplesmente.
Fui envolvida pelo abraço de urso do Emmett, que me ia esmagando.
- Pronto não chateies a moça, ela acabou de chegar.
Lá estava eu, no meu canto, olhando para tudo e todos. Aquelas caras me lembraram dos tempos de infância. Dos risos mais sinceros, os que há muito já não partilhava.
Sorri.
- Vês, é isso, é esse sorriso que gosto de ver pequena. - Disse o Emmett.
Os braços dele foram substituídos pelos do Edward, que sempre fora como um irmão para mim.
Todos estavam a conversar. Já eu apenas olhava como uma perdida tentando relembrar aqueles momentos
Momentos de alegria, onde felicidade, predominava na minha vida, em que tudo era tão simples como respirar.
Voltei á realidade assim que um braço pesado e forte me tocou.
- Vamos, pequena, temos de ir para a aula. – Falou o Emmett.
Eu segui-os.
Entre passos curtos e rápidos cheguei á sala. Todos comentavam o que iria acontecer no final do ano...já eu apenas sorria e acenava
Sentei-me numa mesa vaga ao fundo da sala e aguardei a entrada do setor.
Papeis e canetas voavam até que a porta entreabre-se. Um silêncio apoderou-se da sala assim que passos largos e pesados se dirigiam á secretaria.
Começa então uma aula aborrecida, e eu perdida nos meus pensamentos só me apercebi que esta tinha realmente começado, quando um som de mão contra porta ecoou pela sala.
A voz rouca do setor gritou- entre. Mal o setor acabara de falar, a porta abriu-se e...alguém apareceu
A sua face era alegre e transmitia uma calma tao pura que me deixou intrigada.
Com cabelo castanho que lhe tapava levemente os olhos azuis, tão azuis como um céu sem nuvens. De estatura média, trajava uma roupa simples, aparentemente normal tinha algo que não me deixava retirar o olhar dele. Como um íman o meu olhar ficou preso na sua figura.
Levemente os nossos olhares cruzaram-se. Fiquei perplexa. Olhando em redor, o único lugar vago era a mesa atrás de mim.
- Por aqui. – Falou o prof. Conduzindo-o á minha mesa.
Retirei a minha pasta da cadeira ao meu lado e sentei-me o mais direita possível.
- Bom, esperemos que se possam ajudar um ao outro, já que ambos chegaram hoje. – Disse-nos o setor.
Voltou para o seu lugar em frente ao quadro. Olhando para ele, não escondia um sorriso tímido. E ele, sempre calmo, aproximou-se lentamente.


                                                              

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Só demora 1 minuto (e não faz o dedinho cair!) e alegra o nosso lindo e fraco coração = ) Se leu comente!
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