26 janeiro 2014

Revenge


A cabeça dele virou-se violentamente para o lado esquerdo e um fio de sangue desceu-lhe pelo canto do lábio enquanto a marca da minha mão aparecia na sua bochecha.
Ele não gemeu, apetas mordeu o lábio e colocou a mão na cara.
- Porque é que eu te dei sequer um oportunidade?! Eu melhor que ninguém devia de saber como tu és, afinal cresci contigo! - Disse quase a gritar.
Voltei a estender a mão para lhe bater, mas desta vez ele desviou-se e só lhe consegui acertar no braço.
-Soph... Tenta compreender... - Pediu.
- Eu não tento compreender nada! Não és mais do que o rapaz de quem eu tenho que cuidar. - Falei e voltei a bater-lhe no braço com força.
-Mas já foi a tanto tempo que eu a beijei... E eu sabia que provavelmente não a ia voltar a ver e que ela ia seguir em frente em vez de ficar presa a mim, com a ideia de que eu era único especial e que seria sempre o rapaz de quem ela ia gostar... queria que arranjasse alguem que gostasse dela tanto como eu gosto de...
- Ela vive em Forks! Achas mesmo que eu caio nessa? - Interrompi-o
-Eu sou um lobo!!! Ia viver aqui mas principalmente na floresta!!! E ela ia para a faculdade!!! Não nos iamos ver tão cedo!
Eu olhei para ele a tentar acreditar nele.
Talvez assim me conseguisse lembrar que ele era o rapaz dócil que eu tinha beijado e que o beijo tinha tido algum significado para ele. E que ele iria ficar comigo e não desaparecer a primeira oportunidade.
- Não. - Neguei abanando a cabeça. - Não posso.
-Não podes o que?
- Tu. Eu não vou ser outra Rachel!
-Mas tu NÃO és outra Rachel! Não é a Rachel a pessoa que eu chamo quando não consigo dormir, ou quando preciso de alguem especial que me faça companhia, ou que fique comigo nos piores momentos. Não é com ela que eu me preocupo quando berra todas as noites enquanto está a dormir, ou quando sai disparada a meio da noite depois de eu a beijar, sabe-se lá para onde, ou de quem eu me importo se está bem e em tentar contribuir para isso, todos os momentos da sua vida, mesmo que por vezes só a faça infeliz. E não era com ela que eu chorava sempre que a via chorar, em pequeno... Não é a pensar nela que eu adormeço, nem a pensar nela que eu acordo.  E certamente não foi ela que eu QUIS beijar ontem e já queria há muito tempo, e que ainda estaria a beijar agora se pudesse... Mas também não é a Rachel que não gosta de mim e que só me vê como o rapaz que tem obrigação de proteger e que parece que faz os possíveis para me tratar como um bebé e me atirar com isso à cara...
Eu suspirei e deixei-me cair na cama, ao lado dele, ainda mais confusa do que antes, depois de ouvir as palavras dele.                                                                                                                       
- Não acho que sejas um bebé de quem tenho obrigação de cuidar. - Murmurei a olhar para o vazio.
-E eu também não te devia ter beijado... Muito menos assim...-Disse ele muito corado.
Pousei o rosto nas mãos, incapaz de olhar para ele e confusa, principalmente confusa, sentimentos e realidades chocavam-se agora á minha frente. Puxando-me para duas direções opostas, dividindo-me a meio...
-Estás bem? Estás a chorar?-Perguntou ele.
- Não! Claro que não! É preciso muito mais do que isto para me fazer chorar. - Disse levantando a cara e olhando diretamente para os olhos dele.
Aqueles olhou escuros prenderam-me o olhar.
-Então que se passa?
- Nada. - Disse desviando o rosto.
-Ok. Se não queres contar não contes, mas eu estou cá para ti, se precisares.
Voltei a olhar para ele, o lábio já estava bom assim como a cara, como se nada tivesse acontecido.
- Desculpa lá o estalo. - Murmurei.
- Não faz mal...
- Estou a falar a sério...eu só estava...muito chateada...
-Eu sei, eu sei...-Disse pondo a mão nas minhas costas.
Saltei ao sentir a pele quente dele por cima da minha camisola e afastei-me.
-Desculpa...
- Eu...eu tenho de...ir fazer...algo... - Mumurei levantando-me.
-Eu também... Vou ver se a roupa que me compraste me serve...-Disse também se levantando.
- Já comeste? - Perguntei.
- Não.
- Vou buscar-te comida. - Falei, caminhando para fora.
-Não sobrou veado?
- Precisas de comer mais do que veado sem sabor.
-Obrigado! Posso ir?
- Não sei se é boa ideia.
-Por favor?-Disse fazendo olhinhos.
Desviei o olhar incomodada com o que aqueles olhos me faziam sentir.                            
- Pára com isso. - Mandei.
-Por favor.-Repetiu.
- Raios! Está bem! Veste algo decente e vem ter comigo lá em baixo.
-Ok.-Disse sorrindo
Não me demorei a fugir daquele quarto e de perto dele.
Passados uns minutos, ele desceu, vestindo a roupa que eu lhe comprara. Completamente vestido de preto ficava ainda mais bonito...
Fogo!!!! O que é que eu estou a pensar?!
A minha face ficou vermelha e eu desviei o olhar, levantando-me.
-Vamos?
- Sim. - Respondeu aproximando-se.
Saimos de casa os dois transformados e embrenhamo-nos na floresta.
Esforcei-me ao máximo para pensar em tudo menos em algo verdadeiramente relevante.
-O que te apetece comer?-perguntei eu.
- Tanto faz.
-Gostas de coelho?
- Coelho?
-Sim. Agora segue-me...
- Ok. - Respondeu correndo atrás de mim.
Passados uns minutos avistei um veado, a minha garganta ardeu com aquele sangue todo tão perto de mim.
-Espero que não gostes do bambi... -Pensei antes de saltar para cima dele e sugar-lhe até a ultima gota de sangue daquele animal.
Passei a língua pelos bigodes, retirando todos os vestígios de sangue.
A caça tem estado muito mal por estes lados. Como se os animais soubessem que algo mau esta para acontecer.
Mexi no veado com o focinho na direção do Ty.
- Levamos?
- Outra vez?
- Depois caçamos mais, mas temos de ter providências.
-Esta bem...
Conseguia sentir o seu aborrecimento mas nao havia nada que pudesse fazer... 
- Pudemos ir a Mac para o jantar. - Sugeri.
- Ok. -Disse encostando a sua cabeca de lobo a mim.
Afastei o meu corpo rapidamente, assim como todos os pensamentos, uma vez que ele os conseguia ler quando ambos estavamos transformados.
- Desculpa... - Disse baixo afastando-se.
Ele calou-se. Estava parado, de cabeça baixa. A luz do sol incidia no seu pêlo, quase todo, castanho escuro se não fosse pela mancha branca no olho direito, fazendo-o brilhar.
Ergui uma grande muralha em frente dos meus pensamentos incapaz de o deixar escutar as parvoíces da minha mente.
-Não deviamos estar a planear como salvar os meus pais. Principalmente agora que ninguém nos ouve no estado de lobos? -Perguntou-me ele.
Neguei com a cabeça abrindo uma pequena porta para lhe responder:
- Não, isso é um assunto meu.
- Porquê? Eles são meus pais!
- E foi minha culpa! Assunto meu. Ponto final!
-Culpa tua? Porque?
Abanei a cabeça e voltei a correr, não respondendo.
-Nao me respondes, mas eu sei uma maneira de os encontrar...
Não há maneira de encontrar o teu pai! Quis gritar-lhe.
- Espera. Tu o quê?
-Eu conheco uma maneira de os encontrar... Mas só se me deixares ajudar-te.
- Diz-me. - Mandei.
-Desculpa, soph. So quando prometeres...
- Vais dizer-me a bem ou a mal.
-Desculpa soph. Eu tenho tanto direito como tu de os encontrar.
- Tyler...
-Tyler o que? Dizes que nao me achas um bebé mas continuas a tratar-me como um. Eu sei defender-me . E eles sao meus pais!
- Tu és meio-humano! - Contrapus. - Podes ser morto facilmente.
-Olha quem fala! Tu és... Nem sei bem o que... Mas também és parte humana.
- Sou menos destrutível que tu! Só te estou a manter em segurança. - Falei. - Não me dificultes a vida.
-Ok. Mas pensa que eu posso ser atacado se me deixares sozinho aqui...
- Ficas mais seguro aqui! - Disse com o coração a doer.
-Mas... Por favor soph...
Desviei o olhar para longe.
- Não! Confia em mim, por favor...
-Mas aquilo que podes ajudar a descobrir alguma coisa so eu posso fazer...
- O que seria isso? Já que posso fazer o que quiser com as pessoas...mas ok. Fazemos isso à tua maneira. O que tens?
- Posso ir contigo? - Perguntou.
- Não ouviste o que eu disse? Vá lá... Mostra-me o que isso...
- Promete-me.
-Prometo...
Ele fechou os olhos concentrando-se numa memória específica. Que, pouco e pouco se tornou nitida no meu olhar.
Nao conseguia ver muito, apenas o escuro interior de uma casa e uma mulher sentada em frente a uma mesa redonda.
O meu coração batia muito depressa, por algum motivo desconhecido.
- O que queres saber jovem... - Perguntou a senhora com uma voz muito arrastada.
Saltei para trás, sobressaltada. Se eu estava apenas a ler a mente do Ty, como pode a mulher ter falado comigo?!
As cores da paisagem a minha frente misturaram-se tornando tudo a minha volta confuso. De repente fui puxada para a realidade.
-Como fizeste isso?
- Mostrei-te a minha memória.
-A mulher falou comigo!-berrei eu.
- Fala baixo que estás dentro da minha cabeça! - Queixou-se. - E ela falou COMIGO, foi isso que ela disse.
-Mas...mas... Mas eu...
-Segue-me e cala-te.
Eu assenti levemente com a cabeça e caminhei atrás dele.
- Ty? Onde vamos? - Perguntei ganhando velocidade.
-Segue-me. -Limitou-se a dizer.
Que remédio tenho eu, pensei.
-Sabes que eu te consigo ouvir, certo?
- Sim. - Resmunguei baixo. - Estamos longe? - Questionei
-um pouco. -Disse ele friamente.
- Então acelera. - Disse aborrecida.
-Lembras-te da parte em que eu nao dormi nada por causa de uma certa pessoa, certo?
- Lembraste da parte em que eu não queria que viesses certo?
-Lembras-te de que eu é que tenho um plano, certo?
- Lembro-me que tu achas que tens um plano.
-Entao Segue-me
- entao corre ou diz me onde fica.
-Ok.-disse comecando a correr.
As árvores começaram a passar cada vez mais depressa ao nosso lado, Fazendo os meus pulmões encherem-de mals vezes e o coração bater a um ritmo maior
Enquanto corria conseguia sentir o vento gelado contra o meu pelo quente e as primeiras gotas de chuva a cair.
- Ótimo, vai chover. - Ironizei levantando um pouco a cabeça.
- Já estamos a chegar..tem calma. - Falou
- Ok. - Falei voltando a centrar-me na corrida.
Muito perto conseguia sentir o cheiro de sangue humano, sangue quente a correr pelas veias fracas do coração humano.
Ao longe, por entre as arvores comecei a avistar uma pequena cabana.
- Ty? Onde estamos a ir? - Perguntei preocupada, uma cabana no meio de nenhures?
-Tem calma. Volta à tua forma humana e encontra-me aqui em 5 minutos.
Assenti correndo para o meio da vegetação e voltando a minha forma humano, vesti a roupa que estava presa à minha perna.
Pouco tempo depois voltei para a perto da cabana.
- Tyler?! - Chamei.
-Ja vou. -Disse por tras de uma árvore.
Cruzei os braços a frente do peito, examinando a cabana à minha frente.
Era uma cabana pequena e rustica, toda feita de madeira muito escura. Tinha poucas janelas e transmitia algo sinistro. Devia ter pelo menos uma centena de anos. A sua porta, também de madeira, mal se distinguia da restante habitacao, podendo ser acessada por umas pequenas escadas. Apesar de estar no meio de uma clareira bastante isolada do resto do mundo, toda vegetacao à sua volta parecia estar a morrer. Nao se ouvia nada num raio de quilometros, nem mesmo o cantar de um pássaro, o que me transmitia um mau pressentimento em relação àquele lugar.
- O que andavas aqui a fazer? - Perguntei com todos os meus sentidos a pedirem-me que agarrasse no Tyler e fugisse.
- Coisas. - Respondeu alto voltando a aparecer, completamente vestido de preto e com o cabelo completamente desalinhado.
-O que vamos aqui fazer? -Perguntei desconfiada.
 - Falar com uma pessoa. - Respondeu, passando a minha frente e encaminhando-se para a casa.
- Uma pessoa que vive num casa no meio de nenhures? - Questionei parando a frente dele.
-Ela pode ajudar-nos. E tenta ser simpática.
-Eu sou sempre simpatica. -Disse, imitando um falso sorriso.
- Fá-lo pelos meus pais, senão o quiseres fazer por mim. - Pediu.
-Pronto, esta bem...
Com cuidado ele pousou as mãos na minha cintura, as mãos quentes dele tão próximas da minha pele causaram-me um arrepio que desceu pela minha espinha, e virou-me de costas para ele empurrando-me levemente para que começasse a caminhar.
Eu estava tao atônita que nem sabia o que fazer, por isso limitei-me a andar.
Aproximamo-nos da casa de madeira em passos humanos, comigo ligeiramente à frente do Tyler para o proteger.
Lentamente, comecei a subir as escadas, colocando um pé de cada vez nos degraus de madeira velha.
Antes que chegasse a porta  esta abriu-se revelando uma figura negra.
-Entrem, por favor. A madame Grimore tem estado à vossa espera.
Olhei para o Tyler a perguntar silenciosamente se deviamos mesmo entrar.
Ele assentiu com a cabeca e avancou com um passo seguro, entrando dentro da casa.
Não me demorei também, não o deixaria correr perigo em circunstância nenhuma.
Assim que entrei, senti uma massa de ar frio a vir na minha direcao e a porta a fechar-se atras de mim.
Todos os músculos do meu corpo ficaram tensos prontos para a luta.
Mas, o mais estranho de tudo aquilo era que o ty continuava a andar como se tudo aquilo fosse normal, por dentro da escuridao.
Avancei rapidmente segurando-lhe o pulso.
- Não gosto deste ambiente. - Disse apenas o suficientemente alto para ele ouvir.
-Confia em mim.
Ele olhava-me nos olhos e o seu olhar penetrava-me o coracao como uma flecha e fazendo-me sentir calma.
Olhei à nossa volta, tentando perceber o que era aquela casa e se corriamos perigo.
Assenti, um movimento quase impercebível e continuei a caminhar atrás dele.
Pouco mais à frente, entramos numa pequena divisão. Havia pouca luz, o cómodo era apenas iluminado por alguma velas.
No centro da sala havia uma mesa redonda, coberta com uma toalha o à sua frente estava uma mulher.
- Tyler Uley e Sophie Black. - Murmurou baixo.
Assustei-me e como que por impulso, saltei para a frente do ty, de modo a protege-lo.
Olhei de novo para a senhora.
-Tenho estado à vossa espera. Que vais desejar, jovem? -Disse dirigindo-se a mim.
- Tyler? - Perguntei baixo.
Ele olhou para mim novamente muito calmo. Tão calmo que eu lhe queria bater.
-Mas alguém se importa de me explicar o que esta aqui a passar! -Berrei eu.
- Soph... - Advertiu o Ty
-Sentem-se. -Disse a senhora. Apontando para duas cadeiras à sua frente.
- Estou bem em pé. - Respondi automaticamente.
Ignorando-me, o Ty sentou-se numa das cadeiras, obrigando-me a aproximar-me.
Pousei uma mão na cadeira onde ele se sentou na defensiva.
-Agora ja me podem explicar o que se esta aqui a passar?
- A madame Grimore é uma bruxa. - Explicou. - De certeza que nos pode judar.
Eu soltei uma gargalhada ironica...
-Claro que é... -Disse sarcasticamente.
À nossa volta as velas apagaram-se de repente.
- Se tem tanta certeza, para  quê tanto receio? - Perguntou a encapuzada.
-Senta-te, soph, por favor.-disse o ty.
- Se é mesmo uma bruxa porque não nos mostra aquilo que é capaz?
A mulher olhou para mim e sorriu. Um sorriso distorcido, como o da bruxa má no filme da Branca de Neve depois de a conseguir matar.  Finalmente sentei-me, enfrentando aquela "bruxa" como um desafio...
- Soph...prometeste ser simpática. - Advertiu o Tyler.
-Eu sou simpatica. -Disse com a cara mais doce e inocente deste mundo. -Agora, diga-me o que sabe.
A face oculta da mulher brilhou com uma luz sombria.
- Não controla muito as palavras, menina, devia ter mais respeito.
Eu o que? Devia ir-lhe a cara! Tenho mais que fazer do que aturar esta velha com a mania que sabe tudo!
Eu levantei-me pronta para ir embora.
-Tens a certeza que eu conte tudo o que sei à frente deste rapaz? -Perguntou-me ela com um sorriso sarcastico, fazendo-me virar.
A minha mente voltou-se para amorte do Sam, ele não sabia, não podia saber. Ia odiar-me!
- Soph, o que é que ela quer dizer com isto?
-  Nada!
Caminhei até as cadeiras e sentei-me.
- Ty, deixa-me falar com ela a sós.
-Porquê?
- Porque te estou a pedir. Ty. -Disse segurando-lhe na mão. -Por favor, sai.
- Tu prometeste. - Lembrou.
Olhei para ele.
-Sai, por favor. -Disse usando os meus poderes para o compelir a sair.
Ele levantou-se e dirigiu-se para fora da divisão .
-Ok. Conte-me o que sabe.
- Agora já acredita nas minhas capacidades? - Perguntou com ironia na voz.
Limitei-me a virar a cara.
-Ainda tem muito que provar.
- Acontece que eu não tenho de provar nada.
-Conte-me onde eles estão.
- Os meus poderes não são assim tao vastos, jovem. Mas posso lhe dizer algumas pessoas que a vão ajudar na sua demanda.
-E pode ao menos dizer-me onde elas estão?
Com a mão velha e enrrugada pegou na minha e pousou la algo pesado.
- Tudo o que precisa.
Pais? Familia? Vinganca? A familia do Ty? Sangue?
-E o que é que eu preciso?
- Informações, informações essas que estão aí.
- Como é que podem estar informações dentro disto?
Afastei a minha mão da dela com rapidez. Olhei para aquilo com atenção.
- Um papel? - Abrio depressa estava rabiscado o nome "Jamie Francis" - Quem raio é o Jamie?
-Alguém que te podera ajudar a encontrar o que procuras.
Levantei-me, farta de ouvir enigmas.
-E onde posso encontra-lo?
- Num bar, um bar com janelas pretas e onde o mal predomina. - Murmurou com os olhos fixados num ponto qualquer, fora do meu alcance.
Num movimento rapido, levantei-me da cadeira.
-Boa sorte minha querida. E toma conta dele. Ja sabes que mais cedo ou mais tarde terás de lhe contar o que fizeste.
Se ja mal conseguia aguentar a raiva, entao aquele foi o momento em que explodi.
Subitamente corri em direção a ela e coloquei-me atras de si.
-Eu não fiz nada!
Parecia que estava possuida, como que por um mal sem fim e assim sendo, coloquei um braco em torno do seu pescoco.
-E a minha jornada chegou ao fim. -Murmurou ela, momentos antes de lhe colocar a outra nao ao lado da sua cara e gira-la, partindo-lhe o pescoco.
O corpo sem vida dela tombou para o lado assim que a soltei e eu caminhei lentamente para fora da casa, passando pela figura negra que tinha visto à entrada.
- Tyler?! - Chamei deixando a casa.
-Porquê é que eu estou aqui e que não me vou embora? Porque é que eu não consigo mexer-me?
- Porque eu te disse para não o fazeres.
- Porquê?
- Eu te pedi. - Respondi.
Comecei a caminhar novamente para o interior da floresta.
- Não te esqueceste de nada?!
-De quê?
- De me deixares mexer! - Reclamou.
-Ok... Anda.
Ele suspirou e correu até mim.
-Não vale a pena teimar contigo e tentar saber o que estavas a fazer lá dentro.. Por isso diz-me logo onde vamos..
- Nós? Vamos até um sítio qualquer para comeres. - Disse.
- Onde?
- Prometi-te que iamos a MacDonals.
- Ok...
- Transforma-te para correres ao meu ritmo. - Pedi.
-Ok. Espera um pouco. -disse correndo para trás de uma árvore e voltando poucos minutos depois, transformado e com a roupa amarrada a perna.
Optei por não me transformar por os meus pensamentos não serem seguros.
- Vamos. - Disse começando a correr.
Em pouco tempo chegamos aos arredores da cidade.
- Vai lá. - Disse-lhe encostando-me a uma árvore.
Ele desapareceu por detrás de uma árvore, voltando pouco tempo depois.
-Desculpa a demora.-Disse ainda apertando o fecho das calças.
Eu desviei o rosto ficando com as bochechas vermelhas.
- Ahn...não tem problema, vamos?
-Sim.-disse com um sorriso, percebendo o meu embaraço.
Endireitei as costas e caminhei para fora da proteção das árvores.
-Pronto para andar?
- Sempre. - Respondeu aproximando-se de mim e caminhando ao meu lado.
-E que vais querer comer?
- Hambúrgueres.
-Ok...
Era escusado dizer que eu era horrível a ter e manter conversas com as pessoas...
Caminhamos para a MacDonals mais perto, eu era capaz de ouvir o estômago dele protestar com fome.
-Importas-te de dizer ao teu estômago para roncar mais baixo?
- Eu não como nada desde de ontem, ok? - Resmungou.
-Calma, boneco. Só estava a brincar.
-Alguém está de bom humor... Mas não me chames boneco.
- Porque não?
-Porque não.
- Como quiseres...boneco. - Disse mordendo os lábios para não rir.
-Argh!!! Não me chames isso...
- Vingança, por todas as vezes que me chamaste boneca.
Ele bufou. Empurrei a porta da grande entrada da Macdonals e entrei com ele.
Escolhemos a nossa comida e fomos sentar-nos na mesa do canto.
- 10 hamburgers Ty? -Perguntei fazendo uma careta.
-Estou a crescer,ok? -Resmungou com as bochechas cheias de comida.
Revirei os olhos sem a mínima vontade de meter comida humana no meu corpo.
-Queres algum? -Perguntou.
- Ahn...não obrigado. - Neguei cruzando os braços à frente do peito.
-Pelo menos faz de conta que sim. As pessoas estao a olhar para mim...
- Ninguém se vai lembrar de nos ter visto. - Falei.
-Como?
Eu sorri e bati na minha cabeça com dois dedos.
-Que mais consegues fazer?
- Isto e aquilo... - Respondi sem vontade de falar em algo que o pudesse levar a  alguma pista daquilo que fiz.
-Ok. E depois disto o que vamos fazer?
- Depois de comeres vamos para casa e vaos descansar.
-Porque? -Disse fazendo beicinho.
- Talvez porque não dormiste nada esta noite. - Disse como se não fosse completamente óbvio.
Ele voltou a fazer beicinho e momentos depois desviou todo a sua atenção para os hamburgers que restavam e continuou a comê-los... ou melhor, a devorá-los...
Encostei-me a cadeira e observei atentamente tudo à nossa volta, desde do cheiro a fritos a todas as cores dos olhos das pessoas ali presentes.
-Despacha-te! -disse eu.- Temos muito que fazer...
- Tipo o quê? - Questionou.
-Tipo dormir...
"E encontrar um tipo chamado Jamie Francis..."-pensei eu...
- Estás a pensar descansar?
-Sim... eu não sou totalmente vampira, lembras-te?
- Lembro-me muito bem disso. - Falou. - Mas também sei o quão paranoica és.
-Hey!!! Como assim?
Ele sorriu e mordeu mais um hambúrguer não me respondendo.
-Ty!-Disse batendo com as mãos na mesa.
- Sim?
-Disse com as bochechas cheias.
Este moço não tem remédio.
- Já terminaste?
-Xim.
-Ty! Pareces um hamster...
Ele riu alto, limpando a boca a um guardanapo.
-E agora parece um homem das cavernas. Despacha-te. Temos de ir.
- Queres que pareça o quê afinal, boneca? - Questionou. - Ainda tenho fome. - Queixou-sem
-A sério...?!
- Hum-hum. Vou buscar mais e termino de comer em casa.
-Aqui? Não achas um exagero?
- Não és tu que vais apagar a memória de todos aqui dentro? Então não fa mal.
-Mas isto faz-te mal... Depois ficas um lobo barrigudo...
- Não fico nada. - Disse ofendido. - Tenho de meter proteínas aqui dentro que sustentem o meu corpo bem desenvolvido. - Disse sorrindo e levantando-se.
-Mas despacha-te!!!-disse gritando para ele que já estava do outro lado do restaurante.
Ele apenas me ignorou com toda a lata do mundo.
Esperei pacientemente, ou quase, que ele viesse carregado por sacos.
Passados 30 minutos o rapaz apareceu.
- Finalmente! - Resmunguei.
-Ainda faltam alguns...
- Estás a brincar comigo? - Perguntei irritada.
-E também preciso de mais dinheiro...
- Existem animais na floresta sabes? Animais que podes caçar e comer...
-Mas...
- Mas nada. - Resmunguei. -Ty... Temos de ir andando...
-Pronto está bem. - Disse caminhando para o meu lado.
De repente lembrei-me de uma coisa... Nas ultimas 24 horas, o rapaz tinha perdido os pais, tinha beijado uma rapariga e ela tinha fugido, e ele ainda pensava que os pais estavam, mas desaparecidos... e contudo agia como se tudo estivesse normal...
-Ty, temos que falar...-disse puxando-o para fora do restaurante.
Enquanto me concentrava em caminhar e apagar todas as memórias da nossa cara das mentes das pessoas ali presentes embati contra alguém. Não com força o suficiente para nenhum de nós cair mas o suficiente para eu deixar de ter pensamentos.
Encontrava-me num bar, muito rasca, sabia-o pelo cheiro de álcool e tabaco, o som alto de conversas e música torturava-me os ouvidos lentamente.
- Jamie? - O meu corpo começou a mover-se contra a minha vontade. - Jamie Francis há quanto tempo.
- Soph... - Senti uma mão quente no meu braço e a voz familiar do Ty a puxarem-me para a realidade.
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Oiii que acharam? Gostaram?
espero que sim! não se esqueçam de comentar para nos incentivar a continuar a escrever.
Está uma pista na capa como sempre! Porque será que a Sophie está o chorar? Aceitamos palpites!

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Só demora 1 minuto (e não faz o dedinho cair!) e alegra o nosso lindo e fraco coração = ) Se leu comente!
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