01 fevereiro 2014

Hatred Become Love

 Capitulo 9

PDV Original Bella

Coloquei a camisola com capuz preta e calcei os ténis, tendo cuidado com o pé direito que estava com uma grave entorse e super inchado.
Era o dia do funeral dos meus pais e eu já não tinhas mais lágrimas para chorar, não tinha tido coragem de olhar para os corpos e deixei o trabalho todo ao meu irmão, não era capaz. Talvez tivesse sido um pouco injusto pois ele também sofria e muito, embora não o demostrasse.
Não tinha forças para comer nem para me mexer, não fazia sentido. Acordar, descer as escadas e não ser recebida pelo sorriso da minha mãe? Ou ouvir as poucas palavras do meu pai, tão parecido comigo?
Atirei o capuz para cima da cabeça e arrastei-me para fora de casa com as canadianas, onde um Volvo prata me esperava. Por algum motivo que ainda não conhecia e não sabia que se queria conhecer, ele e o dono tinham-se mantido sempre ao meu lado, silencioso, apenas a respeitar o meu luto e a sussurrar palavras de carinho.
- O Emmett já foi. – Disse aquela voz aveludada que pertencia a Edward Cullen. – Calculei que precisasses de boleia.
- Ao que parece. – Falei baixo com a voz ainda rouca pelo choro e os gritos da noite mal dormida.
Ele aproximou-se de mim, guiando-me até ao carro com e calma. Abriu a porta do carro e esperou que eu entrasse por minha vontade.
Quando, finalmente, me apercebi que tinha de me mexer, já tinham passados vários minutos com certeza, mexi-me devagar para que o corpo não me doesse mais do que o necessário e entrei.
- Estás melhor? – Perguntou passando o cinto de segurança á volta do meu corpo e guardando as minhas muletas.
- Não sei… - Murmurei com o olhar perdido num ponto qualquer dentro do carro dele.
Não conseguia passar um momento sem que construísse mentalmente o que poderia ter acontecido naquela fatídica noite que me tirou duas das três pessoas que mais amava neste mundo.
De repente senti o carro a movimentar-se, sem saber bem como.
- Bella…tens de começar a falar, isso não te faz bem. – Disse a voz preocupada do Edward.
Virei o rosto e o olhar para ele com muito esforço físico e mental, não tinha forças sequer para respirar.
- Falar? – Perguntei sem entender realmente o que ele dizia, a minha mente era uma grande sala de tortura, enviando pequenos sinais para o meu corpo, ordenando-o que doesse mais, que se lembrasse de tudo o que aconteceu, que se lembrasse do dia que era hoje, da razão porque estava vestida de preto.
- Bella?!
- Ahm…desculpa… - Disse devagar, pensando cuidadosamente em cada letra que tinha que pronunciar para que todas juntas formassem uma palavra.
- Eu estava a dizer que tens de começar a falar, pode não ser comigo mas com a Alice, a Rosalie ou o Emmett. Estão todos preocupados.
- Eu…não tenho nada…nada a dizer. – Falei.
- Tens muito a dizer. – Disse.
Decidi manter-me calada, não valia apena discutir, não queria sequer falar, envolvia demasiado esforço e concentração, pensar nas palavras e mandar a voz sair.
O resto da viagem foi feita em silêncio, o meu melhor amigo ultimamente, quase que podia sentir paz neste momento. Talvez fosse o cheiro característico daquele carro, ou apenas a presença dele que me acalmava o interior despedaçado.
- Já chegamos, estás pronta? – Perguntou desligando o carro.
- Não…
Ele esticou a mão para me tocar no rosto mas eu afastei-me, batendo acidentalmente com o pé na porta do carro e mordendo o lábio para não emitir nenhum protesto.
- Bella?! Estás bem? – Perguntou olhando-me preocupado.
Não respondi, apenas abri a porta e procurei as minhas canadianas para me apoiar, quando as encontrei ele já tinha saído e estava a ajudar-me a sair.
- Tens de ir devagar, não queremos que te magoes ainda mais. – Disse calmamente, ajeitando o capuz na minha cabeça. – Ninguém tem de saber como estás. – Explicou.
Eu assenti e comecei a ‘’caminhar’’ para dentro do grande cemitério onde já toda a gente devia estar, em silêncio, percorremos todo o caminho até ao local onde seria a última morada dos meus pais.
Tinha quase a certeza que houve pessoas que me prestaram as suas condolências ou indagaram algo que eu, simplesmente, tinha ignorado. Não queria saber de como é que íamos pagar as contas, para quem tinha ficado a herança, nada!
Deixei-me ficar ao lado dos meus amigos, com o Edward ao meu lado, enquanto o padre dizia palavras que na minha cabeça não faziam sentido. O meu olhar estava fixo nos dois caixões, a apenas alguns metros de mim, que continham os corpos agora inertes e pálidos dos meus pais.
- Queres ir despedir-te deles? – Perguntou o Edward baixo.
Neguei com a cabeça observando os caixões a começarem a descer para a terra. O sentimento de perda começou a aumentar novamente no meu peito, fazendo os meus olhos arderem.
Ao meu lado conseguia sentir o Emmett a chorar também, custava tanto assistir aquilo, era como se eu também lá estivesse a ser enterrada, levada para debaixo da terra sem escolha.
Um braço quente passou-me pela cintura a tentar confortar-me, sem forças encostei-me a ele, pousando a cabeça no ombro dele e chorando baixinho.
Não conseguia ver, não era capaz de lhes dizer adeus para sempre…
- Pudemos ir embora se quiseres. – Falou.
Neguei com a cabeça muito levemente, não podia ir, era uma falta de respeito para com os meus pais.
Ele puxou-me para si, numa atitude que eu classifiquei como protetora, só não entendia porquê, ele não me odiava?
Respirei fundo com dificuldade devido á grande pedra que se tinha instalado ao lado do meu coração, esmagando-o com força.
- Já terminou, as pessoas estão a ir embora, queres que te leve? – Perguntou baixo, perto meu ouvido.
- Por favor… - Pedi.
Ele meteu-me as muletas debaixo dos braços e ajudou-me a caminhar para longe de toda a gente com muito cuidado, depois meteu-me no carro e ligou-o saindo dali.
Deixei o rosto estar baixo enquanto novas lágrimas voltavam a cair e eu me controlava para não deixar nem um som escapar.
- Bells. – Chamou e quando eu não respondi pegou-me no rosto e fez-me olhá-lo. – Queres que entre contigo?
Olhei para longe dele, para a casa, parecia tão vazia neste momento…
- Por favor… - Pedi. – Não quero estar sozinha…
Ele assentiu e afastou o cabelo do meu rosto.
- Não estás sozinha. – Assegurou. – Eu fico contigo.
Afastei-me dele e abri a porta saindo depressa, não gostava de estar assim…tão vulnerável perto dele.
Eu e ele caminhamos para a porta de minha casa e eu abri a porta com um pouco de dificuldade.
- Vamos, deita-te um pouco, vou preparar-te algo para comeres. – Falou.
 Não valia apena dizer-lhe que não ia comer, fizesse ele o que fizesse, não tinha nem um pouco de fome. Mas, limitei-me a começar a subir as escadas, muito lentamente, arrastando-me por todo o caminho até ao meu quarto, onde me deitei com o pé esticado á minha frente.
Não demorou a que ele entrasse com uma bandeja nas mãos e a pousasse na minha cama.
- Então Bells? Sabes que tens de ter o pé elevado. – Repreendeu colocando algumas travesseiras debaixo do meu pé.
- Não doí assim tanto… - Murmurei.
- Mas não tem que doer nada. Já puseste a pomada hoje?
- Não… - Disse.
- Onde é que ela está? – Perguntou levantando-se.
Apontei de má vontade para a secretária no canto ao lado da janela e ele foi buscá-la. Depois sentou-se á minha frente e tirou-me a sapatilha, assim como a meia elástica.
- Come um pouco e tenta descansar. – Mandou pondo um pouco de pomada no meu pé.
- Não precisas. – Protestei, sentando-me. – Já estou bem,…podes ir…
Ele sorriu torto e começou a esfregar a pomada no meu pé.
- Deixa de ser orgulhosa. – Pediu.
Deixei-me ficar em silêncio a observá-lo, ainda sem entender o que se passava com ele, porque estava ali? Porque me ajudava? Não eramos inimigos?
Os meus olhos começavam a fechar-se cansados, mas não queria ir para aquele mundo sombrio sem antes lhe perguntar uma última coisa.
- Edward…? – Chamei baixo com a voz arrastada.
- Sim. – Falou levantando o olhar para mim.
- Porque estás aqui?

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O mais simples dos comentários, dá força á autora para continuar a historia por mais um capitulo e com cada vez mais entusiasmo.
Só demora 1 minuto (e não faz o dedinho cair!) e alegra o nosso lindo e fraco coração = ) Se leu comente!
#Os insultos serão imediatemente eliminados#