04 maio 2014

Revenge


Capítulo 6- Crossing Fire


Agarrei numa folha de papel e escrevi rapidamente: "Fui caçar, só devo voltar de manhã" e deixei-o em cima da mesa para o Tyler.
Saí a correr de casa em direção ao beco onde estivera horas antes. Tinha de começar à procura de culpados e mais valia começar agora mesmo.
Qual era o seu nome mesmo? Jamie Francis... Mas por alminha de quem é que haveria este tipo de me ajudar a encontrar alguma coisa?
Inspecionei a mente de toda a gente à procura do rosto do homem que tinha ido contra mim ou de alguma menção ao bar. Mas não encontrei nada... Pelos vistos terei de procurar sozinha...
Percorri rapidamente as ruas, refugiando-me nas sombras lançadas pelos prédios.
Tentei apurar o meu ouvido para ver se conseguia encontrar o som de música ou algo parecido.
Apenas a uns quilômetros da minha localização soava música muito alta, podia ser o meu local...
À medida que me aproximava, começava a sentir um cheiro fétido de alcoól, suor e algo que não consegui identificar. Eram semelhantes aos da memória mas estes odores encontrar-se-iam em qualquer bar de má qualidade. Mas já que aqui estou, mais vale sondar tudo.
Quando ia a entrar, reparei que estavam uma dúzia de tipos de meia idade e com muito mau aspeto a olhar para mim como se eu fosse um naco de carne.
Se se aproximarem demasiado, frito-lhes cérebro, pensei.
Passei pela porta com toda a arrogância que podia reunir.
 Assim que entrei, havia uma espécie de pequena divisão com um espelho de corpo inteiro.
Olhei por mim abaixo. Não estava mal. Para dizer a verdade até estava bastante bem... Se tirassemos o facto de estar prestes a entrar para uma sala cheia de gente completamente bêbeda... E de 90% das pessoas que encontrarei lá dentro não falarão comigo se eu estiver "tão vestida". Desapertei os primeiros botões da camisa que usava, mas, mesmo usando um top por baixo, sentia-me nua assim.
“Tu consegues Sophie.” Respirei fundo, ajeitei o casaco do meu pai e passei pela porta seguinte.
Lá dentro, a luz era fraca e estava muito abafado. O cheiro ainda era pior quando se entrava.
Avancei para dentro da "festa" e passei pelos corpo dançantes sem encostar em nenhum.
A parede do fundo era constituida por um bar que a cobria de um extremidada à outra, cheio de garrafas de todos os tipos possíveis de bebidas alcoólicas.
Aproximei-me do bar e concentrei-me nos pensamentos das pessoas a minha volta. Jamie, só tenho de encontrar um tipo com esse nome, pensei. Contudo os pensamentos chegavam-me às centenas e era dificil acompanhá-los a todos...
Respirei fundo e tentei concentrar-me numa voz de cada vez.
Mas mais uma vez eram demasiadas vozes e não conseguia concentrar-me.
Por fim desisti, ainda tinha de aperfeiçoar as minhas técnicas de leitura. Encostei o corpo ao bar e procurei por alguém que mencionasse o nome do homem que eu precisava de encontrar. Mas estava tudo demasiado embriegado para pensar direito. Com excepção de uma pessoa.
O meu olhar fixou-se na figura do rapaz, com curiosidade. Sentado ao fundo do bar, estava um rapaz loiro e de olhos verdes, alto e bem constituido, com um copo de uma wisky na mão.
Se ainda não estava bêbado, não devia tardar a que também estivesse.
Com curiosidade, entrei-lhe na mente para descobrie quem é e o que fazia.
"Sempre a mesma coisa! Onde é que será que ele está?"
Devagar, caminhei em direção a ele e sentei-me ao seu lado.
- Um wisky. - Pedi também.
Como é que se começa uma conversa com uma perfeito estranho?
- Uma bebida forte para uma dama, não? - A voz dele soou forte ao meu lado.
-Sou mais forte do que pensas...
Virei o olhar para ele e encontrei um mar verde a observar-me.
- Acredito que sim. - Sorriu-me. - Chace. Chace Mitchell ,prazer.
-Sophie, Sophie Black.-Respondi, sorrindo.
-Sophie? Bonito nome.- Disse com um grande sorriso.
-Chace também não é feio.-Sorri de volta.
-Então, Sophie, de onde és?
- De um sítio longe e tu?
-Nem por isso.-Respondeu enquanto levava o copo à boca.
- Isso fica onde, exatamente? - Perguntei, observando os movimentos dele.
-Por aí... Também não me dizes de onde és...-Disse com um olhar desafiador.
Encolhi os ombros e sorri-lhe.
- Não é importante ou é?
-Depende...
-Depende de quê?-Disse rindo-me.
-Depende se devo ir ao médico ou não, porque tenho quase a certeza que já te vi por estas bandas, e uma cara como a tua não se esquece.
Eu corei mas não pude conter uma gargalhada.
-Provavelmente estás a ficar louco.
- Não tenho total certeza.
Sorri.
- Estou em Forks a algum tempo.
-Então talvez não esteja assim tão louco...-disse com um sorriso - Tentando mudar de assunto e sair desta situação constrangedora, que faz uma rapariga como tu num bar como este?
- Passeio... Tento esquecer os problemas da vida. - Fitei os olhos verdes dele. - Uma rapariga como eu?
-Ya... Não pareces um homem, velho e de meia idade, careca e com uma barriga de cerveja... Para além disso, és bastante bonita. -respondeu baixando a voz na última parte.
Pode ter sido impressão minha mas pareceu-me vê-lo a corar.
Na mente dele implantei ume vontade enorme de me contar o porquê de ele estar ali.
Ele chegou-se a cadeira mais para perto de mim e baixou o tom de voz.
- Isto vai soar muito estranho, mas eu sinto que tenho de partilhar isto contigo.
-Não vais baixar as calças ou tirar a camisola, pois não?-Perguntei tentanto conter o riso.
- Não. A não se que queiras. - Sorriu, um sorriso galanteador. - Eu quero contar-te porque estou aqui.
-E porque estás aqui, Chace Mitchell?- Perguntei tentanto fazer a minha voz soar no tom mais misterioso possível e pegando na minha bebida.
Abanei o copo lentamente, fazendo o líquido no seu interior girar. Não me apetecia meter destas droga no meu corpo.
Contudo, ele continuava a olhar para mim, sem dizer uma palavra.
- Ando atrás do bêbado do meu pai, Jamie, conheces?
-Jamie Mitchell? Não, não conheço nenhum. Porquê?
-Não. Jamie Francis. Mitchell era o nome de solteira da minha mãe. Uso-o em honra a ela, mas principalmente para não ser associado àquele tipo ali ao fundo... Ele é alcoólico e vem para cá todas as noites beber até cair para o lado ou criar confusão... A maior parte das vezes as duas coisas... Ficou assim depois da morte da minha mãe... E desde então que sempre tive de vir aqui para deitar olho nele... Mas sempre que tento pará-lo, torna-se violento e faz um escândalo. O bom é que na manhã seguinte nem ele nem ninguém no bar se lembra com a tamanha bebedeira... O pior é quando acha que vê  a minha mãe... Principalmente quando a vê com outros homens... Mas a minha mãe era incapaz disso... Desculpa, estou a aborrecer-te com a minha história? Já estou a falar demais... Devo ter bebido mais do que pensei...
Os seus olhos verdes, naquele preciso momento, lembravam-me o oceano. Tinham-se tornado num azul-esverdeado e estavam húmidos como se uma onda de lágrimas estivesse prestes a rebentar contra as suas pálpebras.
Neguei com a cabeça e olhei para o meu alvo. Encontrei-te. Agora não tens como me fugir.
- Ele já não parece muito bem... - Observei. - Queres que o vá tentar chamar à razão?
-Não vale a pena... Ele provavelmente vai atirar-se a ti... Deixa-o estar que eu já trato do assunto.
Não era o que eu queria ouvir. Precisava de uma tática para me aproximar dele de modo a que lhe pudesse ler a mente.
- De certeza? Tu és o filho...os pais não dão ouvidos aos filhos.
-Não é problema teu... Não te preocupes com isso...
"Bem, o tipo é teimoso" pensei. Mas se não me posso aproximar do pai, posso chegar a ele através do filho... Ou posso esperar que o pai fique suficientemente bêbado para conseguir todas as respostas que procuro...
Voltei a olhar para o pai dele e procurei a sua mente no meio da multidão. Bêbado como estava talvez não fosse difícil convencê-lo a fazer algo, talvez ir lá para fora onde poderia, misteriosamente, desaparecer.
-Soph, estás bem?-perguntou Chace e eu voltei a focar toda a minha atenção nele.
Uma súbita raiva invadiu cada osso do meu corpo.
-Não me chames Soph!-Disse violentamente.
- Calma! Desculpa, não queria ofender-te.
Respirei fundo e tentei controlar as minhas emoções antes de voltar a falar.
- Chama-me Sophie, okay? Nada de diminutivos, eu não gosto.
-Ok... Desculpa...
Ele olhou para a ponta dos seus dedos, agora pousados nas suas pernas e não pude deixar de reparar que ele batia com o pé no chão de um jeito nervoso. Se calhar fui muito bruta para ele, coitado... Claramente estava nervoso com isto tudo. E tinha razão para estar...Coitado... Devia ter a mesma idade que eu e já tinha que passar por estas coisas...
-Não, desculpa eu...
Os seus olhos levantaram e voltaram a pousar nos meus.
Os olhos dele era claros e profundos, faziam-me ter vontade de mergulhar neles e descobrir os segredos por eles escondidos.
- Não faz mal, já passou.-respondeu sorrindo e mostrando os seus dentes perfeitamente brancos.
Voltei a encarar o meu copo e foquei-me no meu objetivo principal, arranjar informação. Procurei aquela mente confusa que pertencia a Jamie Francis  e comecei a enterrar-lhe a vontade de ir apanhar ar na mente. Psicologicamente ele era fraco e não demorou a que eu sentisse que ele se movia em direção à saída.
Era a minha deixa para sair.
- Foi um prazer conhecer-te, Chace, mas está na minha hora.
-Vais embora tão cedo?
- Tenho outros planos esta noite.
Ele abriu muito os olhos e olhou para mim surpreendido.
Atirei algumas moedas para cima do balcão para pagar a bebida que não tocara.
- Se quiseres, fica com ela. - Encolhi os ombros e afastei-me em direção à porta muito rapidamente.
 Senti uma mão pousar em cima do meu ombro.
- Sim? - Perguntei ameaçadoramente virando-me para a pessoa que iria matar por me impedir de ir cumprir o meu objetivo.
-É só para dizer que gostei de te conhecer e espero volta a ver-te.-disse com um grande sorriso.
- Talvez um dia. - Afastei a mão dele do meu ombro. - Tenho mesmo de ir, desculpa.
Subitamente fui atingida por uma onda de culpa e virei-me para trás novamente, sorrindo.
-E também foi bom conhecer-te.
E segui em direção à saida.
Ao sair daquele ambiente poluido o ar fresco bateu-me no rosto e acalmou-me os ânimos.
- Onde estás Jamie? - Perguntei baixinho olhando em todas as direções.
Uns metros à minha frente estava ele, a atravessar a estrada em direção a um pequeno jardim em frente ao bar, como se nada fosse.
Caminhei nessa direção satisfeita com o trabalho que tinha feito quando fui interceptada pelo grupo de homens que antes tinha estado a olha para mim.
- Onde vais beleza?
Preciso de dizer que me senti enojada?
- Sai da frente. - Ordenei com uma ameaça expressa na voz.
-Tens demasiada pressa para uma cara tão bonita.-Disse agarrando-me no pulso.
Dei-lhe com o joelho no barriga e quando este se dobrou puxei o meu pulso.
- Eu disse para me saires da frente. - Agarrei-o pelo pescoço e fi-lo encarar-me - Nunca mais na tua miserável vida me toques, entendido? - A minha pergunta foi seguida de mais pressão no pescoço dele.
Soltei-o com um  encontrão para que fosse parar a cima dos seus companheiros e ajeitei o casaco.
- Se os senhores me derem licença.
Eles ignoraram-me completamente e ainda se juntaram mais, à minha frente.
- Isto não vai ser bonito, para vocês. - Mostrei os dentes instintivamente e coloquei-me em posição de ataque.
Alguém me tentou agarrar e eu parti-lhe o pulso com um movimento rápido de braços. Fleti as pernas e saltei para fora do círculo, agarrei num dos homens e atirei-o contra os restantes.
- Se se aproximam mais, começo a partir pés...
- Sophie?! - Uma voz masculina chegou a mim com um tom de urgência.
Não me podia virar e dar parte de fraca aos meus oponentes, por isso, fingi apenas que não ouvi.

- Afastem-se dela. - Ordenou a voz do Chace, agora mais perto.

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Oi a todos!!!
Aqui vai mais um capítulo de Revenge :)
Desculpem a demora... :(
Não se esqueçam de comentar e de dizer o que acham que vai acontecer (lembrem-se de que quanto mais comentarem mais depressa será postado o próximo capítulo) :)
Espero que gostem!
Beijinhos a todos e tenham uma boa semana :)





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